Quando entendi que a responsabilidade pela minha vida era somente minha, eu tomei a decisão de ser feliz e comecei a resgatar os meus projetos mais individualistas. Eu nunca saí do país e sempre quis viver essa experiência num nível além-turismo, desejando buscar novos horizontes, viver em culturas diferentes, aprender novos idiomas, abdicar da minha dependência emocional com as pessoas que eu amo para crescer, além de dar um grande passo na minha carreira. E assim eu comecei a procurar por estágio profissional no exterior mas nunca imaginei que tivesse tanta oferta de trabalho assim, embora cerca de 90% delas se encontravam no famoso programa “work & travel” ou similares – programas onde as pessoas vão trabalhar em hotéis e restaurantes na alta temporada, especialmente nos Estados Unidos – mas não era isso o que eu buscava porque não acreditava que trabalhar como camareira ou garçonete traria um retorno relevante pra minha carreira. Só que de repente, graças ao Google, eu achei o site da AIESEC. Não era um nome de todo desconhecido mas também eu não sabia o que era direito. Pensei no momento que fosse apenas mais uma agência de intercâmbio. Entrei no site [www.aiesec.org/brazil], comecei a ler e ler e ler e fiquei com mais dúvidas ainda. Organização estudantil, plataforma para jovens descobrirem o seu potencial, posições de liderança, intercâmbio profissional… que diabos era isso?! Procurei o endereço do escritório em Belo Horizonte e mandei um e-mail para o Pedro, diretor de Marketing, para entender melhor. Uma semana depois ele me respondeu explicando um pouco melhor e me enviando um link, se me interessasse cadastrar, para receber orientações sobre o processo seletivo. Aí que tudo bagunçou mais ainda. Processo seletivo pra intercâmbio? Bom, mesmo sem entender direito, eu me cadastrei e paguei pra ver. Menos de um mês depois fui chamada pra primeira etapa da seleção, o AIESEC Day. Juro que tudo passou pela minha cabeça, viajei geral tentando adivinhar o que seria isso e fui super curiosa. Quando entrei no auditório, bastante cheio por sinal, comecei a ver pessoas muito jovens, todos universitários de no máximo 22, 23 anos, usando crachás e comecei a ficar ainda mais preocupada porque neles estavam escrito “VP Marketing”, “VP Finanças”…. uau, eu achando que encontraria um monte de executivos de terno e me deparo com esse bando de garotos… onde eu estava me metendo?! Então essas pessoas começaram a tomar os seus lugares numa mesa no palco e começam a falar sobre esse desconhecido chamado AIESEC. Mil desculpas pela pobre repetição mas “UAU!!!!”…. de que planeta vieram essas pessoas?! O meu queixo caiu com tudo o que eu ouvi naquele auditório, especialmente quando uma garota chamada Amanda começa a contar, com uma segurança que eu nunca vi igual, que tinha 19 anos, fazia faculdade de Comércio Exterior e Direito, era VP Jurídico-Financeira e começa a falar de auditoria, de investimentos, e um monte de outras coisas que me deixaram boquiabertas. Eu só conseguia pensar “Ela só tem 19 anos?! Eu também quero fazer parte de uma organização com pessoas desse tipo!”, mesmo sem entender ainda muito bem o que isso significaria pra minha vida. Pessoas tão jovens e tão bem preparadas, falando sobre multiculturalismo e diversidade, liderança, responsabilidade social e sustentabilidade, relacionamento estreito com empresas, enfim, pessoas com as quais eu me identifiquei imediatamente.
Dali por diante eu comecei a querer muito vencer esse processo e me tornar membro AIESEC. Mais três etapas depois e eu não acreditava que já estava quase lá. Quando recebi o e-mail de parabéns pela minha aprovação [cerca de 40 aprovados dentre mais de 260 inscritos] eu fiquei muito feliz. Até então eu queria uma viagem em um curto prazo mas conhecendo melhor as possibilidades dentro da organização e percebendo que eu precisaria juntar muito mais grana do que eu tinha na época eu optei por adaptar novamente a minha rota e construir outro caminho no ano de 2007. O final de semana que se seguiu à divulgação dos aprovados foi de imersão total no universo AIESEC, e comecei a entender o significado da força que motiva essa organização “work hard, play hard”, ou seja, trabalho pesado mas diversão na mesma medida. E descobri, definitivamente, uma família. Algumas pessoas acham que a AIESEC é uma seita, uma organização que faz lavagem cerebral, e um monte de absurdos parecidos porque não conseguem entender o que faz um bando de jovens universitários e recém-formados dedicarem horas a fio ao trabalho em uma organização sem receber qualquer remuneração por isso e ainda pagar pra participar de conferências e eventos específicos, criar vínculos de amizade tão fortes que os fazem querer se encontrar o tempo inteiro com as mesmas pessoas e dedicarem-se ao trabalho como fanáticos, visando sempre a excelência. Realmente é difícil de acreditar no que nos faz agir assim mas, acreditem ou não, é o que enxergamos lá na frente como resultado do nosso trabalho que nos move, além da motivação de fazer parte de um grupo que fala a mesma língua que você. E sem perceber, mal eu entrei pra AIESEC eu me tornei parte dela, imbuída do mesmo espírito e me descobri também uma workaholic, para desespero dos meus amigos que agora passaram a me ver cada vez menos.
Para os que não conhecem a AIESEC, vou poupá-los de maior curiosidade e vou esclarecer. A AIESEC nasceu em 1948 como uma associação entre estudantes europeus preocupados em formar líderes comprometidos com o futuro para reconstruir uma Europa devastada pela guerra. Aos poucos foram se organizando em alguns países e promovendo uma troca de conhecimento e experiências visando um recomeço sólido. Começaram a promover intercâmbios em empresas de países vizinhos para aprenderem uns com os outros. E assim a AIESEC começou a ganhar territórios, chegando ao Brasil em 1970 e em Belo Horizonte em 1974 [desde então funcionando na UNA/Aimorés]. Como ganhou proporções globais, a AIESEC precisou estabelecer estruturas que pudessem gerir toda essa troca de maneira sustentável garantindo a perenidade de cada novo escritório. Para isso ela precisaria funcionar como uma empresa de verdade, criar um imagem pública da marca que traduza o que é a organização, captar parceiros e fidelizá-los, controlar suas finanças, gerir os membros de forma que tirassem o melhor proveito dessa experiência e, obviamente, viabilizar intercâmbios. E é exatamente por causa desses intercâmbios e dessa experiência adquirida gerindo os escritórios é que investimos tanto tempo e trabalho. A AIESEC forma líderes responsáveis, pessoas que muito novas possuem experiência em gestão, projetos, finanças e diversas habilidades e competências que o mercado leva anos para promover em não-membros. Plenamente gerida por jovens, cada um de nós que busca as oportunidades consegue viver experiências altamente enriquecedoras dentro da organização e empresas parceiras no mundo todo reconhecem o valor desse “produto” AIESEC, abrindo as portas e oferecendo estágios profissionais em nossas áreas de formação, nos proporcionando uma experiência internacional de altíssima qualidade e relevância, além de uma projeção sem igual no mercado. Isso nós comprovamos a cada dia apenas procurando saber por onde andam alumni AIESEC espalhados pelo mundo. Esse é o grande diferencial dessa organização, as experiências e oportunidades que ela nos proporciona mas tudo depende de cada um, de quanto queremos buscar e do quanto queremos investir para que o retorno venha na mesma medida. E só pra terem uma idéia, vou contar onde alguns membros e alumni da AIESEC BH estão: Virgínia no ABN AMRO/Amsterdam, Isabela na Inbev/ Bélgica [também foi aprovada na HP/ México], Clarissa no UBS/Suíça [também foi aprovada na Kraft Foods/USA] e por aí vai.
Então eu decidi que a minha passagem na AIESEC seria curta [por já ter 6 anos de formada] mas muito intensa e que eu aproveitaria todas as oportunidades para crescer dentro e fora da organização para alcançar os meus objetivos profissionais e pessoais porque as lições que aprendemos aqui certamente levaremos pela vida.
Mas por agora é só. No próximo post eu conto um pouco das minhas experiências na organização.
Até breve.
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